we are more – act for culture in Europe

«um saber desincarnado é um saber inutilizável.»

«um saber desincarnado é um saber inutilizável.»

Boas Vindas aos Visitantes!

Este blogue resulta da migração de outro, com o mesmo nome, que criei em 2005 para suporte, temporário, ao trabalho docente.
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Passados estes 3 anos, chegou o momento de o "doutamente" se assumir: blogue exclusivamente pessoal - de maria de fátima c. toscano - , guiado pela "sociologia crítica", pela "sociologia clínica" e pelas abordagens qualitativas em ciências sociais.
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Todas as afirmações que não estejam referenciadas expressam, pois, a minha opinião e perspectiva epistemo-teórico-metodológica. Grata pela visita,
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mfct, 15 Nov/2008
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(por decisão da autora, neste blog adopta-se a antiga ortografia).

Doutamente recomenda Clínica de Saúde Dentária - Sorrisos Perfeitos

Doutamente recomenda Clínica de Saúde Dentária - Sorrisos  Perfeitos
porque para Fazer tem de se Saber: e eles Sabem

videodoutamente

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pobreza zero - manifesto, 1 Julho / 2005

www.pobrezazero.org
info@pobrezazero.org
MANIFESTO
Mais de 900 Organizações Internacionais em estreita coordenação com organizações e movimentos sociais de base em mais de 100 países promovem a maior mobilização
de sempre na história da luta contra a pobreza no mundo. A sociedade portuguesa não pode ficar indiferente.
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Junta-te a nós e faz ouvir a tua voz!
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Unindo as nossas vozes manifestamos:
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QUE a persistência da pobreza e da desigualdade no mundo de hoje não tem justificação. Apesar dos esforços realizados durante décadas, a desigualdade entre
ricos e pobres continua a aumentar. Hoje, mais de 3.000 milhões de pessoas carecem de uma vida digna por causa da pobreza. Fome, SIDA, analfabetismo, discriminação
de mulheres e meninas, destruição da natureza, acesso desigual à tecnologia,deslocação maciça de pessoas devido aos conflitos, migrações provocadas pela falta
de equidade na distribuição da riqueza a nível internacional… São as diferentes facetas do mesmo problema: a situação de injustiça que afecta a maioria da população mundial.
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QUE o desenvolvimento sustentável no planeta está seriamente ameaçado porque um quinto da população mundial consome irresponsavelmente, com a consequente sobreexploração de recursos naturais.
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QUE as razões da desigualdade e a pobreza se encontram na forma como organizamos a nossa actividade política e económica. O comércio internacional e a especulação financeira que privilegia as economias mais poderosas, uma dívida externa asfixiante e injusta para muitos países empobrecidos, bem como um sistema de ajuda internacional escasso e descoordenado tornam a actual situação insustentável.
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QUE para conseguir a eficácia das políticas de Desenvolvimento Institucional, o Desenvolvimento Humano Sustentável e Bens Públicos Globais é imprescindível
implementar uma governação global democrática e participativa.
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QUE o crescimento económico espectacular dos últimos anos não contribuiu para garantir os direitos humanos nem para melhorar as condições de vida em todas as
regiões do mundo, nem para as pessoas,independentemente da sua condição,género, etnia ou cultura.
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QUE lutar contra a pobreza, nas suas diferentes dimensões, significa actuar contra a exclusão das pessoas, a favor das garantias dos seus direitos económicos, sociais e culturais que se traduzem em protecção, trabalho digno, rendimento, saúde e
educação, poder, voz, meios de subsistência sustentáveis, em condições de igualdade. É um compromisso irrenunciável e inadiável: toda a sociedade no seu conjunto é responsável pela sua concretização.
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Unindo as nossas vozes queremos

- MAIS AJUDA pública para o desenvolvimento, dando prioridade aos sectores sociais básicos, até alcançar o compromisso dos 0,7% do PIB.
- MELHOR AJUDA, desligada de interesses comerciais, orientada para os países mais pobres e coerente com os Objectivos do Milénio.
- MAIS COERÊNCIA nas diferentes políticas dos nossos governos para que todas elas contribuam para a erradicação da pobreza.
- PERDOAR A DÍVIDA: os países ricos, o Banco Mundial e o FMI devem perdoar a 100% a dívida dos países mais pobres.
- DÍVIDA POR DESENVOLVIMENTO: investir os recursos criados pelo perdão da dívida dos países pobres para alcançar os Objectivos do Milénio.
- MUDAR AS NORMAS DO COMÉRCIO internacional que privilegiam os países ricos e os seus negócios e impedem os governos dos países pobres de decidir
como lutar contra a pobreza e proteger o meio ambiente.
- ELIMINAR OS SUBSÍDIOS que permitem exportar os produtos dos países ricos abaixo do preço de custo de produção, prejudicando o sustento das comunidades rurais nos países pobres.
- PROTEGER OS SERVIÇOS PÚBLICOS com o fim de assegurar os direitos à alimentação e o acesso à água potável e a medicamentos essenciais.
- FAVORECER O ACESSO À TECNOLOGIA por parte dos países menos desenvolvidos, de acordo com as suas necessidades, para que possam usufruir dos seus benefícios.
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Lisboa, 1 de Julho de 2005

vivemos em universos - a ciência ajuda a compreender

domingo, 6 de dezembro de 2009

hopenhagen

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

facebook

terça-feira, 22 de setembro de 2009

equinócio de outono: 22 setembro

(clicar no título para saber mais)
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sábado, 2 de maio de 2009

Emoções: Admiração e Compaixão — estudo dos investigadores António e Hanna Damásio Damásio

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"Admiração e compaixão 
são emoções 
que definem a humanidade"
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"António Damásio divulga estudo científico sobre sentimentos"
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(para ler, clicar aqui )

domingo, 26 de abril de 2009

25 de Abril de 1974

Base de dados Históricos: clicar no título deste post para consultar e aprender melhor.
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segunda-feira, 13 de abril de 2009

O Pequeno Ditador, Javier Urria

Javier Urra: "O pequeno ditador é alguém que aprendeu que pode impor a sua vontade"
Joana Silva Santos| 2007-06-14
Para o autor do livro O Pequeno Ditador, limites e regras são fundamentais na educação. Saber dizer não pode ser o primeiro passo para que não passem a ser os mais pequenos a mandar lá em casa.

Javier Urra, psicólogo forense no Ministério da Justiça espanhol, já foi provedor de menores em Espanha e vê agora o seu livro transformado num verdadeiro best-seller. Em Portugal, já vendeu cerca de 20 mil exemplares e já vai na quarta edição. Em Espanha o sucesso ainda é maior, já com 180 mil livros vendidos. A razão de ser desta obra é simples - ajudar os pais a controlarem e evitarem que os seus filhos se transformem em pequenos ditadores. Talvez assim se deixem de ouvir lamentos como o que o autor lembrou: «Já não posso com o seu filho de 4 anos». Javier Urra lembra, por isso, que «um filho requer tempo, atenção, conflito e esforço» e garante que se não se fizer nada face a estes pequenos ditadores, «a situação só pode piorar».
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Javier Urria. O Pequeno Ditador. Lisboa (Madrid, Barcelona): A Esfera dos Livros. 2007. (19,50 € ).
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(para ler entrevista com o Autor, clicar no título deste post )
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domingo, 12 de abril de 2009

Manifesto Slow Food

"O nosso século, 
que se iniciou e tem se desenvolvido 
sob a insígnia da civilização industrial, 
primeiro inventou a máquina 
e depois fez dela o seu modelo de vida.
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Somos escravizados pela rapidez 
e sucumbimos todos ao mesmo vírus insidioso: 
Fast Life, 
que destrói os nossos hábitos, 
penetra na privacidade dos nossos lares 
e nos obriga a comer Fast Food.
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O Homo sapiens
para ser digno desse nome, 
deveria libertar-se da velocidade
antes que ela o reduza a uma espécie em vias de extinção.
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Um firme empenho na defesa da tranqüilidade 
é a única forma 
de se opor à loucura universal da Fast Life.
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Que nos sejam garantidas 
doses apropriadas de prazer sensual 
e que o prazer lento e duradouro 
nos proteja do ritmo da multidão 
que confunde frenesi com eficiência.
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Nossa defesa deveria começar à mesa com o Slow Food."
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(para ler na íntegra, clicar no título deste post )
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Slow food: orientação de leitura/bilbiográfica

AAVV. Slow Food. Collected writings on taste, tradition, and the honest pleasures of food. Londres 2003 (Slow Food. Coletâneas sobre gosto, tradição e os prazeres honestos dos alimentos).
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ANDREWS, GEOFF. The Slow Food Story: Politics and Pleasure. (A História do Slow Food: Política e Prazer; no prelo).
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DICKIE, JOHN, Delizia: The Epic History of the Italians and Their Food. Londres 2007 (Delizia: a história épica dos italianos e sua comida).
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KUMMER, CORBY. The Pleasures of Slow Food. Nova Iorque 2002. (Os Prazeres do Slow Food).
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PADOVANI, LUIGI. Slow Food Revolution. Nova Iorque 2006. (A Revolução Slow Food).
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PARKINS, WENDY; e CRAIG, GEOFFREY. Slow Living. Oxford 2006. (O Modo de Vida Slow).

PETRINI, CARLO. The Case for Taste. Nova Iorque 2004. (Em Defesa do Gosto).
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IDEM. Slow Food Nation. Nova Iorque 2007. (Nação Slow Food).
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 A short guide to sensory education, Bra 2007 (Um breve guia da educação dos sentidos).
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(esta orientação bibliográfica é citação adaptada de aqui )
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sábado, 11 de abril de 2009

slow food

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"O Slow Food está justamente na encruzilhada 
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entre a ética e o prazer, 
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entre a ecologia e a gastronomia."
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"Ele se opõe 
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à padronização do paladar
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ao poder irrestrito das multinacionais
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à agricultura industrializada 
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à estupidez da vida agitada."
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"Ele restaura 
a dignidade cultural do alimento 
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os ritmos mais lentos da convivência à mesa."
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"É um universo de pessoas que trocam conhecimentos e experiência. 
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Ele acredita que
todo prato que comemos 
deve ser o resultado de escolhas feitas 
nos campos, 
a bordo de embarcações,
em vinhedos, 
em escolas 
em parlamentos."
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O MUNDO SLOW
© A. Peroli, 2006
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(para saber mais, clicar no t´titulo deste post )
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Ciências Gastronómicas e estilo de vida "slow down"

(clicar no título deste post para ler)
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ciber-dúvidas e acordo ortográfico

sítio muito útil e acedível para solicitar e receber informações on line (clicar no título deste post )
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sábado, 4 de abril de 2009

Jesús Mosterin. La Cultura Humana.Madrid:Espasa,2009.

(clicar no título do post para aceder à recensão e a doc em fomato .pdf in Babelia/El País, 04/04/2009)
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T-Mobile Dance: making of


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para ver como resultou fabulosamente bem clicar aqui
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segunda-feira, 30 de março de 2009

Arte e Ciência - Valdemar W.Setzer

"Arte e ciência" in
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O COMPUTADOR COMO INSTRUMENTO DE ANTI- ARTE
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Valdemar W. Setzer
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Departamento de Ciência da Computação, Instituto de Matemática e Estatística da USP
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"Em primeiro lugar, devemos colocar que vamos nos ater exclusivamente às criações humanas. Essa ressalva se impõe pois muitos pensadores consideraram a natureza como um artista. Platão faz essa distinção em "O Sofista":
"Vou supor que coisas que são feitas pela natureza são obras de arte divina, e coisas que são feitas pelo ser humano são obras de arte humana."
De fato, gostamos de afirmar "a natureza é um artista, e não um cientista" para explicar por que pessoas preferem morar em uma rua arborizada. Cada árvore pode ser encarada como uma obra de arte produzida pela natureza, provocando em nós um senso estético ausente de uma obra científica. No entanto, as obras de arte da natureza carecem de individualidade. Todas as plantas de uma mesma espécie, em uma mesma região geográfica, terão forma semelhante (se bem que nunca idêntica). Todas as belíssimas teias feitas por uma mesma espécie de aranha seguem os mesmos padrões, determinados pelo rígido "programa" seguido pelo animal.
Talvez o corpo humano seja a única obra de arte da natureza com individualidade não decorrente unicamente de determinadas combinações genéticas e influências do meio ambiente, como se vê por exemplo pela expressão fisionômica; isso pode levar à conjetura de que o ser humano não é um ser puramente natural, como podem ser classificados os minerais, os vegetais e os animais. De fato, quando os humanos primordiais fizeram suas pinturas rupestres, já mostraram que não eram totalmente naturais - talvez nunca o tenham sido! Quem sabe daí advém a dificuldade em se determinar a origem natural do ser humano... Contrariamente à arte da natureza, cada obra de arte humana deve ter uma característica individual. Certamente nossa casa é diferente de todas as outras do mundo, pois eu e minha esposa encomendamos ao nosso arquiteto, o saudoso Bernardo Blanco, um projeto que não seguisse o padrão de caixa retangular de tijolos e concreto, como se vê comumente, e sua criação artística foi realmente individual.
Além de necessariamente expressar um aspecto individual do seu criador, a obra de arte deve ter uma característica fundamental, que a distingue da obra científica. Seguindo Goethe (...), formulamos a seguinte caracterização:
A ciência é a idéia tornada conceito; a arte é a idéia tornada objeto. Isto é, ambas têm a mesma origem, mas uma é expressa por meio de abstrações, e é captada pelo nosso pensamento, e a outra é concretizada em algo que pode ser captado pelos nossos sentidos. Isso é claro nas artes mais "físicas" como, pela ordem estabelecida por R.Steiner (...), a arquitetura, escultura e vestuário (nos povos em que este ainda é uma expressão de um estado de ânimo). No entanto, também pode ser reconhecido em artes mais espirituais, como música (os sons são elementos físicos) e a poesia (também depende de se escutar - mesmo que interiormente - os sons das palavras).
Obviamente, estamos aqui fazendo uma distinção fundamental entre ciência e técnica ("technology"). Uma máquina ou um instrumento é algo concreto, mas a ciência que se encontra por detrás deles é um edifício puramente conceitual.
Assim, a arte e a ciência complementam-se. Segundo Steiner, "O dito de Goethe que arte é uma espécie de conhecimento é verdadeiro, pois todas as outras formas de conhecimento, tomadas em conjunto, não constituem um conhecimento completo do mundo. Arte - criatividade - deve ser adicionada ao que é conhecido abstratamente se quisermos atingir um conhecimento universal" (...).
É uma grande tragédia da humanidade estar-se dando importância quase que apenas à ciência e ao pensamento científico. Basta ver-se que tipo de educação as crianças e jovens estão recebendo no mundo todo, para ver-se que a educação artística é ínfima - se existente - em comparação com a educação científica. Educa-se para o pensar abstrato formal e não um pensar "intuitivo" como o que se passa na atividade artística. Com isso estamos condenando a humanidade a ter uma visão unilateral indevida do mundo, uma visão desumana, pois esse é o tipo de ciência feito hoje em dia. Pode-se observar como a ciência tem se orientado em grande parte para a produção técnica, com a finalidade de aumentar o poder ou o capital, e não para o conhecimento. Todos os desastres provocados pela técnica talvez possam ser remontados à desumanidade da atividade científica de hoje, que encara os seres vivos como meros minerais mais complexos, usando com aqueles um método que deveria ter validade apenas no âmbito do inanimado - e mesmo aí tem resultados dúbios do ponto de vista de conhecimento. Possivelmente, os atuais desastres econômicos no mundo todo podem ser remontados ao tratamento das questões sociais com pensamentos científicos, sem o emprego simultâneo de um "pensamento artístico" que, cremos, é essencial para se lidar com quaisquer dessas questões, como veremos (...).
A nossa frase no espírito de Goethe ainda revela um ponto fundamental: o objeto de uma "verdadeira" arte deveria expressar uma idéia, isto é, uma realidade espiritual, e não ser meramente uma combinação casual de elementos aleatórios. Talvez seja a essa realidade espiritual que Kandinsky quis referir-se na terceira parte do que ele chamou de "Necessidade Interior" que caracteriza a criação artística, produzindo uma arte "verdadeiramente pura [que serve ao] divino." Segundo ele, "Cada artista, como servidor da Arte, deve exprimir, em geral, o que é próprio da arte (elemento de arte puro e eterno que se encontra em todos os seres humanos, em todos os povos e em todos os tempos, ..., e não obedece, enquanto elemento essencial da arte, a nenhuma lei do espaço nem do tempo.)" e, mais adiante, "a preponderância do terceiro elemento numa obra é que constitui o indicador da grandeza dessa obra e da grandeza do artista." (...)
É óbvio que a pintura de uma paisagem, um "portrait" ou uma natureza morta expressam uma realidade, mesmo que seja sob a forma de nossas sensações como no impressionismo. Por outro lado, cremos que o expressionismo na pintura tinha a intenção de exprimir algo interior existente mas invisível, como por exemplo um estado emocional. Talvez a música de J.S.Bach seja tão especial pelo fato de ser a que mais se aproxima da sensação daquela realidade arquetípica não-física que os gregos chamavam "a música das esferas." Daí para diante, a música torna-se cada vez mais uma expressão de uma criação individual, "terrena." Não estamos esquecendo a capacidade de criação abstrata e experimental-científica de Bach - veja-se sua "têmpera" das escalas. Mas não podemos considerar que sua música tenha sido toda calculada - como alguns gostariam que tivesse sido -, pois ele não teria tido tempo para isso. Lembremos que ele próprio afirmou ser sua música "inspirada."

Uma das caracterizações fundamentais das obras artísticas em contraposição às obras técnicas é o fato destas seguirem regras formalmente definidas. Obviamente existem regras na arte - afinal, a confecção de qualquer objeto deve seguir regras impostas pela natureza física do material. No entanto, essas regras não devem ser formais ou "definidas." Kant escreveu na "Crítica ao Julgamento," parte I (Crítica da Razão Estética):

"Qualquer arte pressupõe regras que são estabelecidas como as fundações que inicialmente permitem um produto ser representado como possível."
E, mais adiante,
"Belas Artes somente são possíveis como produtos de um gênio, ..., um talento que produz aquilo ao qual não se pode dar regras definidas."
Essa não-definição total das regras seguidas na confecção de um objeto de arte é que permite que a intuição (essa capacidade interior que escapa a uma caracterização científica... pensamentos vindos do nada?) manifeste-se sem regras que podem ser conceitualizadas, formalizadas. A intuição deve estar presente tanto na criação científica como na artística, no entanto numa ela manifesta-se através de regras formais, e na outra deve haver algum elemento informal, não passível de descrição exata, proveniente da interação física entre o artista e o material. Recordemos que este, no caso da música e da poesia, é o som. No caso de um romance, é a imagem interior ("Vorstellung") que o escritor faz o leitor criar, imagem esta baseada nas experiências sensoriais, emocionais, morais, etc. do último. Note-se ainda o uso por Kant da palavra "gênio," que ele atribuiu à "natureza no indivíduo," o que podemos interpretar como a manifestação da individualidade do artista. Em Platão ("Ion") encontramos também a menção do gênio, pois ele descreve a arte como produto da inspiração divina do gênio captado pelo ser humano. Mas, nesse caso, o "gênio" espiritual não se encontrava dentro do indivíduo e nem era "natural" como no materialismo de Kant, mas inspirava-o de "fora." Lembremos que Homero sempre invocava a divindade para inspirá-lo a escrever a obra: "Cante, ó deusa, a ira de Aquiles filho de Peleus, que trouxe incontáveis desgraças sobre os Aqueus..." e "Conte- me, ó Musa, sobre aquele genial herói que viajou longe e amplamente depois que saqueou a famosa cidade de Tróia." Isto é, o antigo grego não tinha a percepção interior que qualquer pessoa tem hoje em dia, de produzir seus próprios pensamentos. Steiner escreveu de Homero: "A poesia épica aponta para a divindade superior, aquela considerada feminina por que transmite forças frutificantes." Logo em seguida, falando sobre a evolução do teatro desde Ésquilo até Aristófanes: "somente gradualmente, na Grécia, à medida que a conexão humana com o mundo espiritual caía no esquecimento, a ação divina representada no palco tornou-se puramente humana" (...).
A propósito de regras, uma outra característica que encontramos nas artes é que as regras que elas seguem são razoavelmente rígidas e, em boa parte, pré-existentes no material do objeto e nos eventuais instrumentos empregados, ao passo que na ciência elas são determinadas em grande parte pelo seu criador. De fato, uma teoria matemática é um campo totalmente aberto, desde os axiomas até a extensão dos teoremas; uma teoria física pode ter um grande espaço de manobra, pois é um modelo abstrato, podendo-se imaginar elementos sem limite clássico, isto é, que não correspondem à nossa experiência sensorial, como o spin do elétron ou as ondas de probabilidade da Mecânica Quântica. Mesmo experiências físicas podem ter um grande espaço de manobra - parece-nos que os aceleradores de partículas mudam as condições da matéria, fabricando-se manifestações (por exemplo, partículas) que talvez não existem em estados normais. Compare-se com o espaço de manobra de um pianista, cujo instrumento de percussão é extremamente limitado na produção de cada som. No entanto, que obras de arte e que sensibilidade podem ser transmitidas por um mestre no "touché," como acabamos de presenciar na audição de Pogorelich! É justamente a manifestação de liberdade em um espaço limitado que revela o grande artista. A esse respeito, vale a pena meditar sobre a poesia de Goethe que transcrevemos e (mal-) traduzimos no apêndice.
O elemento informal e intuitivo na arte leva-nos a dizer que na criação artística deve haver um elemento inconsciente, que nunca poderá ser conceituado totalmente. Já a criação científica deve poder ser expressa por meio de pensamentos claros, universais e não-temporais - isto é, independentes da particular interpretação do observador, talvez até certo ponto (dependendo da área) formais, matemáticos. Imagine-se uma descrição do Altar de Isenheim através dos seus pixels e seus comprimentos de onda - ele perderia totalmente o senso estético e não produziria mais a reação interior provocada no observador pelas cores, formas e motivos, isto é, não teria o efeito terapêutico para o qual foi criado por Grünewald. Insistimos que também na observação deve haver um elemento individual, o que não deve ocorrer no caso da ciência.
O elemento emocional foi realçado por Freud, quando afirmou em sua "Introdução à Psicanálise," Aula 23, e no ensaio "Além do Princípio do Prazer," que a arte é emoção ou expressão subconsciente e não imitação ou comunicação (dentro de seu típico raciocínio unilateral da teoria da sublimação da emoção e do desejo através da arte). Comparando-se com a arte como comunicação de uma realidade espiritual, de Kandinsky, vê-se bem o contraste entre materialismo e espiritualismo; neste pode haver algo superior a ser comunicado.
É interessante insistir que a idéia expressa em um objeto de arte é objetiva, mas a necessária sensação e emoção que ela desperta é subjetiva. Por exemplo, ouça-se uma terça maior seguida de uma menor, ou uma sétima seguida de uma oitava. Estamos seguros que qualquer pessoa terá sensações diferentes em cada caso, que ficam claras pelo contraste entre cada intervalo e o seguinte. Mas provavelmente quase todas as pessoas dirão que a terça menor é "mais triste" e a sétima produz uma tensão aliviada pela oitava. Cada um sente essas emoções diferentemente, mas há claramente algo universal por detrás delas, como as sensações que temos do amarelo limão (alegre, radiante, abrindo-se) e do azul da Prússia (triste, introspectivo, fechando-se). A esse respeito diz Kandinsky (...): "O elemento de arte puro e eterno ... é o elemento objetivo que se torna compreensível com a ajuda do subjetivo."
Consideramos também uma distinção essencial entre obra artística e científica o fato da primeira dever sempre ter contextos temporais e espaciais ligados à sua criação. Como contraste, uma teoria científica não depende do tempo, desde que seja consistente e corresponda às observações, se for o caso. Um exemplo simples é o do conceito de uma circunferência, como por exemplo o lugar geométrico dos pontos eqüidistantes de um ponto. Essa definição formal não dependeu das condições de seu descobridor. Ela é impessoal e eterna. O fato de podermos captá-la com nosso pensamento levou Aristóteles a conjeturar, por um raciocínio puramente lógico, precursor de nossa maneira de pensar hodierna, e que não poderia ter ocorrido em Platão, pois este tinha sido um iniciado nos Mistérios (veja-se a fantástica "A Escola de Atenas," de Rafael para uma representação da diferença entre os dois), que temos dentro de nós também algo de eterno.
A dependência espaço-temporal da criação artística aliada ao elemento de expressão individual semiconsciente do artista faz com que haja sempre um elemento de imprevisibilidade na criação. O artista deve observar sua obra durante o processo de criação, para influir no mesmo e chegar a algo que não podia inicialmente prever. Isso pode ser um processo puramente interior, como no caso de um compositor que não precisa ouvir os sons de sua obra; no entanto, a sensação auditiva ao ouvi-la tocada nunca é a mesma que a que pode imaginar interiormente. Poder-se-ia argumentar que a pesquisa científica também tem elementos de imprevisibilidade. Isso pode ocorrer até na matemática: um teorema pode ser descoberto, e o seu autor ou outros ainda não saberem como se poderá prová-lo (um exemplo recente foi a prova do último teorema de Fermat, formulado no século XVII). Uma grande diferença reside no fato do resultado ser, como já dissemos, de um lado um conceito, de outro um objeto. Além disso, uma vez estabelecido um conceito científico, toda vez que se refizer a experiência ou a teoria correta o resultado será o mesmo (dentro das eventuais aproximações experimentais); no caso da criação artística, o objeto de arte deverá sempre mudar, pois a sua simples presença deve influenciar o criador, que terá outras inspirações na hora de repetir a criação (lembremos da frase de Freud de que simples imitação não é arte). Damos e esse fator o nome de "dinamismo da criação artística."
Resumindo, a arte em nossa opinião deve ser expressa através de objetos físicos (eventualmente sonoros) ou da imaginação desses objetos (como no caso de um romance); deve exprimir uma idéia, que é uma realidade não-física; não deve poder ser totalmente criada ou descrita por meio de elementos puramente formais, contendo sempre um elemento subconsciente; deve ter um caráter individual ligado ao seu criador e ao observador; deve permitir uma certa liberdade dentro de regras informais impostas pelo material e pela ação do artista; deve envolver emoções do artista e do observador; deve ter contextos temporais e espaciais ligados à sua criação, que deve ser dinâmica, e o processo de criação deve ter um elemento de imprevisibilidade.
Antes de discorrermos sobre nossa opinião em relação ao uso de computadores na arte, será ainda necessário examinarmos a maneira como eles podem ser usados na atividade artística."
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(formatação nossa, incluindo a não inclusão das notas e referências originais)
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para completar esta leitura e, ainda, para aceder a todo o ensaio, clicar aqui .

Pedagogos internacionais condenam computadores na educação infantil

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"Isto só poderá levar ao aparecimento de adultos anti-sociais, com ideias fixas, passivos, fanáticos e pobres em forças de compaixão e criatividade".
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EFEITOS

Os efeitos complexos comprovadamente perniciosos que os meios electrónicos exercem indelevelmente sobre as almas infantis durante o septénio pré-pubertário são: 

(1) Indução de uma admiração desmesurada por máquinas, conforme o complexo funcionamento
dos computadores permanece incógnito.

(2) Estímulo para a ideia que máquinas dotadas de "inteligência artificial" podem em muitos 
casos ser mais perfeitas do que seres humanos. 

(3) Cultivo de uma concepção materialista do mundo, com uma visão fatalística da humanidade 
e da vida, do tipo "tudo é previsível e programável". 

(4) Inclinação para uma estratégia de vida baseada na fé computacional de "dividir 
para conquistar", ou seja, subdividir sempre um problema em partes menores, a fim de
resolvê-las separadamente – o que resulta desastroso quando aplicado a seres humanos. 

(5) Deterioração dos valores de sociabilidade, uma vez que os computadores são usados 
individualmente e os contactos – via internet, blogues, skype, emails, etc. – permanecem sob 
a máscara cibernética. 

(6) Provocação de impulsos tendentes a realizar tudo na vida rapidamente e com variadas acções 
em simultâneo.

(7) Debilitação das capacidades de concentração mental, contemplação e paciência.

(8) Degeneração da memória e distorção da capacidade do pensamento criativo, conforme deixa 
de ser necessário memorizar o que é facilmente arquivável em gigantescas memórias 
electrónicas. 

(9) Incitamento à utopia de "aprender é fácil como brincar", devido à generalizada concepção
infantilóide (por adultos) dos softwares. 

(10) Eventualmente degeneração de funções neurocerebrais, devido à constante exposição 
a campos electromagnéticos nas proximidades da cabeça. 





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Apenas com estes breves dados, pais conscienciosos já estarão habilitados a repensar o uso pretendido para aparelhos electrónicos na educação das suas crianças em idade pré-pubertária. É útil também lembrar a autoridade que PAIS detêm em assuntos de educação, conforme está lapidarmente estabelecido em dois documentos internacionais fundamentais:

– A Declaração Universal dos Direitos Humanos, co-assinada por Portugal junto à ONU, estabelece no artigo 26/3: «Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos». 

– A Convenção de Protecção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais, co-assinada por Portugal junto ao Conselho da Europa, estabelece no artigo 2 do protocolo: «O Estado, no exercício das funções que tem de assumir no campo da educação e do ensino, respeitará o direito dos pais a assegurar aquela educação e ensino consoante as suas convicções religiosas e filosóficas». 
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Para mais informações clicar no título deste post e, ainda, visitar este sítio, ou este outro
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(mt Grata a AM)
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sábado, 28 de março de 2009

a crise...

A crise por um especialista em Marketing e Publicidade: clicar aqui .
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Velhos “remédios” na educação carioca: educar para quê e como?- Cecilia Goulart e Maria Luiza Oswald

Para ler e reflectir, face a algumas similitudes com o caso Português: basta clicar aqui .
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Para ver a edição original, clicar no título deste post.
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sexta-feira, 20 de março de 2009

E Jesus pediu a reforma antecipada aos 33 anos...

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sobre a educação em Portugal (e não só...) clicar aqui .
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mt Grata a AM
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domingo, 15 de fevereiro de 2009

3.ª Conferência Internacional do Programa da UNESCO Memória do Mundo : 19 a 22 Fev/2009, Austrália (Canberra)

Troisième Conférence internationale du Programme de l’UNESCO Mémoire du Monde
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(Canberra - Australie)
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Du 19-02-2008 au 22-02-2008
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Cette conférence célèbre les succès de ce programme après 15 ans d’existence, identifie les perfectionnements nécessaires et propose des améliorations.
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Elle est associée à un colloque sur le patrimoine culturel immatériel organisé le 18 février et est précédée d’une réunion du Comité régional de Mémoire du Monde pour la région Asie-Pacifique (MOWCAP) les 17 et 18 février.
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Les cinq principaux thèmes de discussion sont :
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Mémoire du Monde dans le cadre de l'UNESCO : examen de son statut au sein de l'UNESCO et de sa relation avec d'autres activités de l'UNESCO, telles que le patrimoine culturel immatériel, les chefs d'œuvre du patrimoine oral et immatériel de l'humanité, la diversité culturelle, les droits de l'homme et le patrimoine culturel et naturel ;
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Perspectives globales, régionales et nationales : efficacité des programmes internationaux, nationaux et régionaux, y compris les registres respectifs, en accomplissant les objectifs du programme ;
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Conservation et accès : regard neuf sur les aspects socio-techniques et socio-culturels de la conservation et leur rôle dans le cadre du programme ;
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Soutien au programme : idées, stratégies et expériences afin d'aider la croissance de Mémoire du Monde ;
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Évaluation des succès : identification des lacunes, des contradictions et des injustices dans le programme et proposition de solutions.
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Le programme inclut des visites d’institutions culturelles à Canberra, une excursion à bord d’un train historique à Bungendore et des ateliers organisés le 22 février traitant particulièrement des points suivants : préparation aux désastres, planification de la conservation, préparation d’une nomination au programme Mémoire du Monde, création d’un comité Mémoire du Monde et d’un site Web dédié.
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L’événement est organisé par le Comité australien de Mémoire du Monde.
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Memory of the World Australia
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Start date - Local time: 19- 02- 2008
End date - Local time: 22- 02- 2008
Event Location : National Library of Australia

Name of Contact 1 : Ian Cook, Comité australien du Programme Mémoire du Monde de l’UNESCO
E-mail address : ianicook@bigpond.net.au
Country : Australie
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Plyaing for change: "stan by me" around the world pela Paz


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mt, Muito Muito Muito GraTa à MARIA GOMES!
:-) ah, sn! ah!
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querem ouvEr mais versões desta memorável canção? aqui

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Parceiros da Europeana

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feminismos na Biblioteca Multimédia Europeia (acessível desde 31 Dez/2008)

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